A busca por maneiras de reduzir o consumo de combustível e a emissão de poluentes fez as fabricantes resgatarem uma ideia usada há mais de 50 anos nos alemães DKW, por exemplo, com a roda livre. Trata-se de aproveitar a energia cinética (movimento) acumulada na aceleração e permitir ao carro rodar solto, por inércia, sem ser “freado” pelo motor.
O recurso é oferecido no Audi Q3, que chega ao Brasil no início do ano que vem. Acompanha as versões equipadas com o Drive Select, que por meio de uma tecla no painel permite escolher um entre quatro modos de condução (conforto, dinâmico e eficiência, além do automático). Para cada um há diferentes parâmetros para vários itens, da assistência da direção às respostas do acelerador e do câmbio.
Ele funciona apenas no modo de eficiência. Em trechos de piso plano ou declives suaves, em que o motorista para de acelerar, a embreagem desacopla o câmbio e o motor passa a girar em marcha lenta. É como se estivesse na chamada popularmente “banguela”. O câmbio é acoplado em frações de segundo quando o motorista volta a acelerar ou pisa no freio.
Mais sofisticado é o sistema desenvolvido pela Bosch e mostrado recentemente, em evento de tecnologia da empresa. Chamado “start/stop coasting”, ele é semelhante ao utilizado pelo Porsche Cayenne Hybrid. Porém, a novidade está no fato de que foi instalado em um carro com motor a combustão interna, a perua VW Passat 1.4 TFSI, de 122 cv – com câmbio de sete marchas e duas embreagens.
O recurso chega a desligar o motor com o carro rodando a até 120 km/h, quando o condutor não está pisando no freio ou no acelerador. Há reserva no servofreio para três frenagens e a assistência da direção é mantida, por ser elétrica (a hidráulica requer bombeamento de fluido).
Isso permite redução de até 10% nas emissões de gás carbônico, em ciclo de condução normal, conforme a empresa. O propulsor é religado quando o motorista volta a acelerar.
Exceto em casos como os dos carros citados, rodar na “banguela” compromete a segurança (se o motor desligar, pode-se perder assistência da direção e o servofreio) e aumenta o consumo. A injeção eletrônica interrompe o fornecimento de combustível quando o motorista para de acelerar e o câmbio está engrenado. Com a caixa em “ponto morto”, o motor gira em marcha lenta e gasta combustível.