O delegado da Polícia Federal Victor Poubel disse na manhã desta quinta-feira que a primeira atitude tomada pelo traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, após ser preso foi ligar para sua mãe.
Em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, o delegado disse que ao chegar à sede da PF no Rio, na zona portuária, Nem avisou a mãe que havia sido preso e recomendou aos filhos que não faltassem às aulas.
Poubel informou ainda que em nenhum momento Nem, apontado como chefe do tráfico de drogas da favela da Rocinha, reagiu à prisão. "Ele não esboçou nenhuma reação. Chegou à sede da Polícia Federal aparentemente tranquilo e consciente da prisão dele."
Segundo o delegado, a PF trabalha há dez dias monitorando a Rocinha por meio de escutas telefônicas e de agentes infiltrados.
PRISÃO
Nem por preso em uma operação do Batalhão de Choque da PM na madrugada de hoje. Ele estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado pela polícia na altura do clube Piraquê, na Lagoa, a poucos quilômetros da favela, após informações de inteligência terem apontado que o traficante, um dos mais procurados do Rio, estava no carro.
Segundo a polícia, o motorista do veículo se identificou inicialmente como cônsul do Congo e alegou imunidade diplomática para não permitir que o carro fosse revistado. Diante dessa afirmação, os policiais do Batalhão de Choque decidiram escoltá-lo até a Polícia Federal.
No trajeto, o motorista teria oferecido suborno aos PMs, que lhe deram voz de prisão. A verdadeira identidade do motorista ainda não foi divulgada.
Nem foi preso poucas horas depois de a Polícia Federal ter detido o seu braço-direito, conhecido como Coelho, e outros quatro traficantes, juntamente com três policiais civis e dois ex-policiais militares que faziam a sua escolta.
A PF diz que intensificou operações de inteligência ao saber que a Rocinha seria ocupada, e que recebeu informação de que haveria fugas.
Os policiais detidos entraram na favela em quatro veículos e deixaram o morro pela saída da rua Marquês de São Vicente, na Gávea.
Os policiais e os traficantes estavam armados, mas não houve troca de tiros. Alguns dos bandidos viajavam nos porta-malas dos carros.
Além das prisões, a PF apreendeu cinco granadas, 11 pistolas, três fuzis, carregadores, munição e uma quantidade não especificada de dinheiro em reais e euros.
As fugas foram motivadas pelo plano do governo do Estado de ocupar a favela nos próximos dias, no primeiro passo para a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), a 19ª da cidade.
A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão Sérgio Cabral (PMDB).
CHEFE DO TRÁFICO
Segundo investigação da Polícia Civil, por causa da iminente ocupação policial, o traficante Nem havia decretado desde a semana passada um toque de recolher para comerciantes e moradores. O traficante também teria limitado a circulação de motociclistas.
Apontado como um dos líderes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), o traficante Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.
Uma investigação da Polícia Civil confirmou que Nem recebeu atendimento médico na manhã de segunda-feira (7) na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) da Rocinha.
Na ocasião, o traficante teria ido à UPA acompanhado de seguranças armados com fuzis. A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela unidade, não confirma o atendimento ao criminoso, mas também não nega o fato.
Uma das informações recebidas pela Polícia Civil é de que Nem teria procurado atendimento porque teria tido uma convulsão após misturar álcool com ecstasy durante uma festa realizada na Rocinha entre a noite de domingo (6) e a madrugada de segunda-feira.